é uma idade engraçada, chega a gerar uma reflexão, um balanço do que realizei até então.
afinal, não deixa de ser uma idade emblemática, agora DEFINITIVAMENTE não dá mais pra se dizer adolescente, nem pós-adolescente. não dá mais pra se dizer com 20 e poucos anos.
por outro lado, esse anos deve ter sido o mais calmo dos meus aniversários, sem maiores crises de identidade.
uma sábia mulher uma ez me disse que aos 40 parece que a cortina se abre e que fica muito mais fácil ver tudo em perspectiva. outra mulher me disse que aos 30 isso já é possível.
não sei se isso vale pra meninos, nem sei se foi a consciência deste último mês, mas é bem verdade que observar as coisas em perspectiva tem sido a tônica desses meus últimos tempos.
não se enganem, continuo com meu jeito sôfrego de encarar a vida. isso não deve se perder nunca. acho que nem quero perder essa ansiedade que me anima.
é só que me permiti ser menos dramático com algumas aspirações hercúleas ainda não realizadas. nem todo mundo tem uma história de sucesso e perseverança. ao contrário, a maioria de nós temos nossas vidas ordinárias e nem nos damos conta de como ela é específica. e mesmo aqueles que vemos como pessoas de sucesso dificilmente se vêem dessa forma.
no fundo todo mundo é um pouco fora do encaixe, todo mundo é meio deslocado e o mundo nunca será um sucesso de público E crítica, o encaixe entre todos os seres humanos não é possível e, se o fosse, o mundo explodiria na chatice. mais ainda, quem nos parece plenamente colocado num lugar dificilmente é encarado como modelo a ser seguido.
bom mesmo é descobrir similaridades neste desencaixe comum.
por isso prefiro me encarar mais como o autor dos desenhos que cercam esse post, harvey pekar: um cara comum, com uma vida boa, que se irrita com o mundo mas que se satisfaz com algumas coisas nele.
de minha parte eu tenho um bom emprego interessante e que me dá certa liberdade de ação, ainda que me obrigue a vários formalismos, uma perspectiva de carreira ainda mais interessante se alguns planos se concretizarem; a possibilidade de estudar ainda mais coisas interessantes; uma família com a dose certa de disfuncionalidade e exagero de carinho e atenção e uma namorada que é um achado arqueológico!
não, não tenho mesmo do que reclamar. ficar se lamuriando seria falta de educação.
tem sido um bom ano. mais, tenho tido bons anos. com os altos e baixos costumeiros. mas posso dizer que ando no saldo positivo, me felicitando mais do que o oposto.
ainda que me sinta deslocado, eterna constante, sei muito melhor o lugar de onde venho e ao qual pertenço.
e, ao ler leminski – “sim, inverno, estamos vivos” – evoco que sei o que sou: um curitibano falsificado em terra estranha!
"Achado arqueológico? Sabia que esse um mês a mais de idade, em relação a você, um dia seria jogado na minha cara."